- Hanna Kimelblat

- há 6 dias
- 11 min de leitura
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo consultoria jurídica, contábil ou tributária. As informações apresentadas não substituem orientação profissional especializada para sua situação específica.
O Wix não se responsabiliza por decisões tomadas com base neste artigo. A legislação brasileira está sujeita a alterações constantes. É sua responsabilidade manter-se em conformidade com todas as leis aplicáveis ao seu negócio.
Para questões jurídicas ou tributárias, consulte sempre profissionais habilitados.
Conhecer as leis de eCommerce é o primeiro passo para vender online com segurança jurídica no Brasil. Elas formam o conjunto de normas que regula as lojas virtuais, definem o que o seu site precisa exibir, como você deve tratar os dados dos clientes e quais direitos o consumidor tem ao comprar pela internet. Antes mesmo de criar sua loja virtual, vale entender essas regras para evitar multas e construir uma marca confiável.
Leitura bônus: como montar uma loja virtual
Neste guia, você vai descobrir quais leis se aplicam ao comércio eletrônico, o que é obrigatório no seu site e como deixar tudo em conformidade no dia a dia. Se você ainda está começando, comece pelo conceito básico de o que é eCommerce e avance daqui.
O Wix eCommerce já vem com pagamentos seguros, checkout otimizado e cálculo automático de impostos sobre vendas, ferramentas que auxiliam na gestão da conformidade, sem substituir a responsabilidade do usuário em conhecer e cumprir todas as obrigações legais aplicáveis ao seu negócio.

Resumo: quais são as principais leis de eCommerce no Brasil?
Sem tempo? Veja um resumo das principais leis de eCommerce que regem as vendas online no Brasil e o que cada uma exige da sua loja:
Lei | O que exige da sua loja |
Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) | Informações claras, preço total transparente e direito de arrependimento de 7 dias. |
Lei do E-commerce (Decreto nº 7.962/2013) | Exibir CNPJ, razão social, endereço e contato; atendimento e resposta em até 5 dias. |
LGPD (Lei nº 13.709/2018) | Política de privacidade, consentimento e segurança no tratamento de dados pessoais. |
Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) | Privacidade das comunicações e guarda responsável de registros de acesso. |
Lei da Transparência (Lei nº 12.741/2012) | Informar o valor aproximado dos tributos na nota fiscal. |
Diretrizes do CONAR | Publicidade verdadeira e identificação clara de conteúdo pago com influenciadores. |
O que são as leis de eCommerce?
As leis de eCommerce são o conjunto de normas, federais e estaduais, que regulam o funcionamento das lojas virtuais no Brasil. Não existe uma lei única: o que existe é uma combinação de regras que se complementam para proteger o consumidor e organizar as relações de compra e venda online.
Esse cuidado faz sentido pelo tamanho do mercado. O eCommerce brasileiro movimentou R$100,5 bilhões só no primeiro semestre de 2025, segundo a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico). Se o seu público já compra pela internet em grande escala, vender dentro da lei deixa de ser detalhe e vira parte da estratégia.
As normas se aplicam a qualquer formato de venda online, do site próprio aos marketplaces. Por isso, antes de definir como vender produtos e serviços online, vale mapear quais leis tocam o seu negócio.
Vale lembrar que cumprir as regras e crescer não são caminhos opostos. Construir uma base sólida, e dentro da lei, é o que dá fôlego para o crescimento de qualquer negócio.
O Código de Defesa do Consumidor (CDC)
O Código de Defesa do Consumidor, a Lei nº 8.078/1990, é a base de toda relação de consumo no Brasil, e isso inclui as compras feitas em lojas virtuais. Ele estabelece direitos do consumidor e deveres obrigatórios para quem vende, mesmo que tenha sido criado antes da popularização do comércio eletrônico.
Entre os pontos mais relevantes para o eCommerce estão: informações claras e completas sobre o produto, preço total transparente com frete e taxas, proibição de propaganda enganosa e de venda casada, e o direito de arrependimento previsto no artigo 49. Por esse direito, o cliente pode desistir da compra em até 7 dias corridos a partir do recebimento, sem precisar justificar, com devolução integral do valor pago.
O direito de arrependimento é um dos pilares da confiança no comércio online, como resume um especialista em direito do consumidor:
“Um dos direitos centrais que protegem o consumidor nas compras online é o direito de arrependimento.”
Carsten Foehlisch, vice-presidente de serviços jurídicos da Trusted Shops AG
Para dar conta desse direito na prática, mantenha uma política de troca clara e acessível, que explique prazos, condições e como funciona a devolução.
A Lei do E-commerce (Decreto nº 7.962/2013)
O Decreto nº 7.962/2013, conhecido como Lei do E-commerce, complementa o CDC com regras específicas para o ambiente digital. Enquanto o CDC traz as bases gerais, o decreto detalha como essas obrigações devem aparecer no seu site. Ele se organiza em três pilares.
O primeiro é a clareza e a disponibilidade das informações: nome empresarial, CNPJ, endereço físico e canais de contato precisam estar visíveis, além da descrição completa dos produtos e do preço total. O segundo é o atendimento ao consumidor, com resposta às solicitações em até 5 dias, conforme o artigo 4º. O terceiro é o direito de arrependimento de 7 dias corridos, com devolução integral do valor pago, incluindo o frete. Segundo interpretação consolidada dos órgãos de defesa do consumidor, a logística reversa também deve ser facilitada pelo fornecedor, não podendo o consumidor arcar com custos para exercer esse direito.
Como o frete entra nessa conta, organizar bem o frete para eCommerce ajuda a cumprir a logística reversa sem atritos com o cliente.
Quais informações são obrigatórias no site?
Pela Lei do E-commerce, sua loja virtual precisa exibir de forma acessível:
Identificação da empresa: razão social, nome fantasia e CNPJ.
Endereço e contato: endereço físico, email, telefone ou outro canal de atendimento ativo.
Detalhes do produto: descrição completa, características essenciais e eventuais riscos.
Preço total: valor do produto, frete, taxas e condições de pagamento, sem surpresas no checkout.
Políticas: trocas, devoluções e direito de arrependimento, fáceis de encontrar.
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)
A LGPD, a Lei nº 13.709/2018, regula como as empresas coletam, armazenam e tratam dados pessoais. Qualquer loja virtual que peça nome, CPF, email, endereço ou dados de pagamento está sujeita a ela. Na prática, isso significa pedir consentimento claro, informar a finalidade da coleta, manter uma política de privacidade atualizada, exibir aviso de cookies e proteger as informações com segurança técnica.
A fiscalização fica a cargo da ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados), e as sanções são significativas: a multa pode chegar a 2% do faturamento da empresa, limitada a R$50 milhões por infração. A confiança no momento do pagamento também pesa no bolso de quem ignora a segurança.
“Segundo uma pesquisa da Opinion Box, 20% dos abandonos de carrinho em pedidos online no Brasil são causados por uma página de pagamento que não transmite segurança.”
Letícia Fernandes, diretora de marketing institucional da Pagar.me e da Stone
Para começar com o pé direito, monte uma política de privacidade para site transparente e mantenha o site protegido com conexão segura e certificado SSL atualizado.
O Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014)
Enquanto a LGPD trata do uso dos dados, o Marco Civil da Internet, a Lei nº 12.965/2014, define os direitos e deveres de quem usa e fornece serviços na rede. Ele reforça princípios como a privacidade e a inviolabilidade das comunicações, a transparência sobre o uso de dados e a guarda responsável dos registros de acesso.
Para o eCommerce, o Marco Civil funciona como uma camada anterior à LGPD: compartilhar dados só mediante consentimento ou exigência legal, comunicar com clareza incidentes de segurança e respeitar os direitos digitais do consumidor. As duas leis se somam, e atender uma facilita o cumprimento da outra.
A Lei da Transparência e as obrigações fiscais (Lei nº 12.741/2012)
A Lei da Transparência, a Lei nº 12.741/2012, exige que a empresa informe o valor aproximado dos tributos que incidem sobre o produto ou serviço, normalmente discriminado na nota fiscal. Assim como o CDC, ela vale para qualquer empresa, online ou física.
Na rotina de uma loja virtual, isso se conecta à emissão correta de nota fiscal eletrônica e ao enquadramento fiscal do negócio, seja como MEI, seja no Simples Nacional, com a incidência de tributos como o ICMS. Não é preciso virar especialista em contabilidade, mas vale alinhar esses pontos com um contador para vender de forma regular.
Regras para marketplaces e vendas por terceiros
Se você vende em marketplaces, é importante conhecer a discussão sobre responsabilidade nas relações de consumo. Pelos artigos 18 e 20 do CDC, em casos de vícios ou defeitos no produto, o consumidor pode buscar reparação tanto do vendedor quanto, em determinadas circunstâncias, da plataforma. A extensão dessa responsabilidade varia conforme o caso e tem sido objeto de debate na jurisprudência. Entender o que é marketplace ajuda a dimensionar essa responsabilidade compartilhada.
Vale a mesma lógica para quem distribui vendas em vários lugares. Ao planejar seus canais de venda online, garanta que cada um exiba as informações obrigatórias e respeite os direitos do consumidor. O Wix eCommerce permite vender no Facebook, Instagram e em outros canais a partir de um mesmo sistema, o que facilita manter o padrão de conformidade em todos eles.
Regras de importação e o Programa Remessa Conforme
Quem vende ou revende produtos importados precisa conhecer o Programa Remessa Conforme, da Receita Federal, que organiza a tributação das remessas internacionais enviadas a consumidores no Brasil. As plataformas que aderem ao programa recolhem os impostos no momento da compra, e as alíquotas aplicadas a essas remessas são definidas pela Receita.
Como essas regras e percentuais são periodicamente atualizados, este artigo apresenta informações gerais sobre o programa, mas não substitui consulta aos canais oficiais da Receita Federal (www.gov.br/receitafederal) para verificação das regras vigentes no momento da sua operação. Tratar tributação e importação com cuidado evita autuações e protege a margem do seu negócio.
Leis estaduais que também podem se aplicar
Além das normas federais, alguns estados têm regras próprias. Por exemplo, Rio de Janeiro e São Paulo possuem legislação sobre informação de prazos de entrega. Como a legislação estadual pode ser alterada e cada estado pode ter exigências específicas, recomenda-se consultar a legislação vigente no seu estado de atuação ou buscar orientação profissional antes de definir as regras de entrega e atendimento da sua loja
Esses são apenas exemplos. Como cada estado pode ter exigências específicas, verifique a legislação local antes de definir as regras de entrega e atendimento da sua loja.
O que acontece se a loja não cumprir as leis?
O descumprimento da Lei do E-commerce leva às sanções previstas no artigo 56 do CDC, que incluem desde advertência e multa até medidas como suspensão da atividade, aplicadas após procedimento administrativo. No caso da LGPD, a ANPD pode aplicar advertências e multas específicas pelo tratamento inadequado de dados.
O risco vai além do financeiro: problemas legais afetam a reputação e a confiança do consumidor, que hoje pesquisa avaliações antes de comprar. Por isso, entender o que você precisa saber antes de abrir uma loja virtual e revisar a conformidade desde o começo é mais barato do que corrigir depois.
“Daquele momento do faça você mesmo até viralizar, percebemos quase na hora que precisávamos de um site. Queríamos que as pessoas soubessem que éramos uma empresa de verdade.”
Francesca Duncan, cofundadora da Fork n' Film, Los Angeles, usuária do Wix eCommerce
Como adequar sua loja virtual às leis de eCommerce
Colocar a loja em conformidade é mais simples quando você segue um roteiro. Comece pelo essencial e avance:
Exiba os dados da empresa: CNPJ, razão social, endereço e canais de contato visíveis, de preferência no rodapé e no checkout.
Publique suas políticas: privacidade, trocas e devoluções acessíveis em todas as páginas.
Configure o aviso de cookies: permita que o visitante aceite, recuse ou personalize a coleta.
Ofereça atendimento real: ao menos um canal ativo e resposta dentro do prazo legal.
Mostre o preço total: produto, frete e taxas claros antes da finalização.
Uma plataforma completa reduz o trabalho manual. Com o Wix eCommerce, você gerencia pedidos, estoque, envio e finanças em um único painel, o que ajuda a manter informações e políticas sempre organizadas e visíveis.
Oferecer meios de pagamento seguros e populares também faz parte da adequação. O Pix já tem 178,9 milhões de usuários no Brasil, segundo o Banco Central, e chegou a 313,3 milhões de transações em um único dia, então aceitar o método que o brasileiro prefere é tão importante quanto a segurança da página de pagamento.
“Um dos maiores desafios para novos negócios é lidar com a complexidade de aceitar pagamentos online. O Wix Pagamentos oferece uma solução integrada que busca simplificar esse processo, ajudando empreendedores a organizarem suas operações. A segurança e conformidade das transações dependem também das práticas adotadas pelo usuário e dono do site.”
Mariia Liakhova, gerente de marketing de produto para pagamentos no Wix
Vale saber: a maioria das lojas fica pronta em poucas horas, mas catálogos com muitas variações de produto, como tamanho, cor e material, pedem um tempo extra de configuração para ficarem corretos. Reserve esse tempo para que as informações de cada produto saiam completas e em conformidade.
Leia também: como receber pagamentos online seguros com o Wix
Para ver como isso funciona na prática, conversamos com Beatriz Cavalcanti, que vende materiais de artesanato com a própria loja no Wix:
“Foi incrível criar minha própria loja no Wix. É super intuitivo, e com o gerenciador de vendas eu me sinto mais confiante para cuidar da contabilidade e da gestão dos pedidos.”
Beatriz Cavalcanti, fundadora da Bibiscuit A Loja
Esse é o efeito prático de uma operação organizada: quando os dados da loja, os pedidos e as finanças ficam num só lugar, manter tudo em conformidade deixa de ser um peso e vira rotina.
Conclusão
Vender online com tranquilidade depende de tratar as leis de eCommerce como parte do negócio, e não como burocracia. Não há uma lei única: o CDC, o Decreto nº 7.962/2013 e a LGPD formam o trio que merece prioridade, somados ao Marco Civil, à Lei da Transparência e às diretrizes do CONAR. A conformidade protege a operação, evita multas e gera confiança no consumidor, então revise suas políticas com frequência para acompanhar as mudanças.
Perguntas frequentes sobre leis de eCommerce
Qual é a lei do e-commerce no Brasil?
A Lei do E-commerce é o Decreto Federal nº 7.962/2013, que regulamenta o Código de Defesa do Consumidor para o comércio eletrônico. Ela define o que a loja virtual deve informar, como o atendimento ao cliente funciona e reforça o direito de arrependimento nas compras online.
Quais informações são obrigatórias em uma loja virtual?
CNPJ, razão social, endereço físico e canais de contato, além da descrição completa do produto, preço total com frete e prazos de entrega. As políticas de troca, devolução e privacidade também devem estar visíveis e acessíveis em todo o site.
Como funciona o direito de arrependimento de 7 dias?
Pelo artigo 49 do CDC, o consumidor pode desistir de uma compra online em até 7 dias corridos contados do recebimento, sem precisar justificar. A loja deve devolver o valor pago de forma integral, e o frete de devolução fica por conta dela.
A LGPD se aplica a pequenas lojas e MEIs?
Sim. A LGPD vale para qualquer empresa que trate dados pessoais, independentemente do porte. Pequenas lojas e MEIs que coletam nome, email ou dados de pagamento precisam de política de privacidade, consentimento claro e cuidados de segurança com essas informações.
Quais são as penalidades por descumprir a lei do e-commerce?
O descumprimento pode gerar as sanções do artigo 56 do CDC, como multa, suspensão e interdição da atividade, além de ações no Procon. Para falhas no tratamento de dados, a ANPD pode aplicar advertências e multas específicas previstas na LGPD.
* Este artigo foi atualizado em junho de 2026 e tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O conteúdo não constitui consultoria jurídica, contábil, tributária ou qualquer forma de aconselhamento profissional.
A legislação brasileira sobre comércio eletrônico está em constante evolução. O Wix não garante a completude, atualidade ou aplicabilidade das informações aqui apresentadas para casos específicos.
Usuários da plataforma Wix são responsáveis por assegurar que suas lojas virtuais estejam em conformidade com todas as leis federais, estaduais e municipais aplicáveis.
Para orientação sobre sua situação específica, consulte advogados, contadores e demais profissionais habilitados.


